Medicina Regenerativa na DTM: como estimular a recuperação natural da articulação e dos tecidos
A Medicina Regenerativa na DTM representa uma abordagem promissora para pacientes que convivem com alterações na articulação temporomandibular (ATM) e quadros de Dor Orofacial.
Pois em vez de atuar somente no alívio dos sintomas, seu objetivo é favorecer os mecanismos naturais de reparo dos tecidos, contribuindo para o controle da inflamação, da dor e para a recuperação da função articular.
Nos casos de DTM articular, especialmente quando existem alterações inflamatórias ou degenerativas, recursos da medicina regenerativa podem ser incorporados ao tratamento da DTM. Mas isso não significa que exista uma única técnica indicada para todos os pacientes.
A indicação deve partir de uma avaliação clínica criteriosa realizada por um dentista especialista em DTM e Dor Orofacial. Ao longo deste artigo, você vai entender como funciona a Medicina Regenerativa na DTM, quais recursos podem ser utilizados e em quais situações essa abordagem pode fazer parte do tratamento.
O que é medicina regenerativa?
A medicina regenerativa reúne estratégias que estimulam o organismo a reparar tecidos lesionados por meio de processos biológicos naturais. Em vez de simplesmente substituir uma estrutura comprometida ou atuar apenas sobre a dor, a proposta é criar condições para que os mecanismos naturais do organismo participem do processo de recuperação.
Esse conceito tem ganhado espaço também no estudo e no tratamento da DTM, principalmente quando há comprometimento da articulação temporomandibular. Uma revisão sistemática e meta-análise realizada com 6.365 participantes estimou que 33,6% da população brasileira avaliada apresentava DTM, o que demonstra a relevância dessas condições e da busca por diferentes possibilidades terapêuticas.
Na odontologia, esse conceito vem sendo aplicado principalmente em doenças da ATM, tendões, músculos e outros tecidos envolvidos na dor orofacial.
É importante, porém, diferenciar medicina regenerativa de uma promessa de regeneração completa da ATM. Os resultados dependem do diagnóstico, das estruturas envolvidas e da condição tratada, e as evidências científicas variam de acordo com cada técnica.
Por isso, a indicação desses recursos deve estar associada a uma avaliação criteriosa e individualizada.
A Dra. Monia Bessornia, dentista especialista em DTM em Sorocaba há mais de 20 anos e Membro da SBDOF desde 2013, atua na avaliação e no tratamento de pacientes com alterações relacionadas à ATM e à dor orofacial.
Seu atendimento clínico prioriza a individualidade de cada paciente, considerando as características de cada caso antes da definição das técnicas que podem fazer parte do tratamento.
Quais são os princípios da medicina regenerativa aplicados à DTM?
A aplicação da medicina regenerativa à DTM parte de uma compreensão mais ampla dos mecanismos envolvidos na dor, na inflamação e nas alterações dos tecidos da ATM. Mais do que buscar uma única técnica, a proposta é favorecer as condições biológicas e mecânicas que podem contribuir para a recuperação da articulação e de suas estruturas.
1. Controle da inflamação
A inflamação persistente é um dos fatores que contribuem para a dor e para a degeneração da ATM. O primeiro princípio da medicina regenerativa é modular esse processo inflamatório, favorecendo um ambiente de reparação.
Recursos terapêuticos podem contribuir para essa etapa quando bem indicados, como laser de baixa potência, ozonioterapia, acupuntura e outras terapias complementares associadas ao tratamento convencional.
2. Estímulo ao reparo dos tecidos
O objetivo é estimular células e moléculas envolvidas na cicatrização e na recuperação da cartilagem, da membrana sinovial, dos ligamentos e dos músculos mastigatórios.
Entre as terapias utilizadas estão a viscossuplementação da ATM com ácido hialurônico e i-PRF (plasma rico em fibrina na forma injetável).
Essas técnicas regenerativas utilizam fatores de crescimento obtidos do próprio sangue do paciente, quando indicadas. E buscam melhorar o ambiente biológico da articulação e favorecer sua recuperação funcional.
3. Restaurar a função da ATM
A regeneração não acontece apenas dentro da articulação. É fundamental recuperar movimento, estabilidade e função muscular. Por isso, o tratamento costuma incluir:
- exercícios terapêuticos;
- terapia miofascial;
- ultrassom terapêutico quando indicado;
- tens;
- liberação miofascial;
- educação sobre hábitos como o bruxismo em vigília.
A combinação dessas abordagens ajuda a reduzir a sobrecarga da ATM e melhora os resultados a longo prazo.
Medicina Regenerativa na DTM
A Medicina Regenerativa na DTM pode envolver diferentes recursos terapêuticos, escolhidos de acordo com o tipo de disfunção, as estruturas comprometidas e os objetivos do tratamento.
Entre as abordagens utilizadas ou estudadas para condições articulares da ATM, destacam-se a viscossuplementação com ácido hialurônico e o i-PRF, que atuam por mecanismos diferentes e possuem indicações específicas.
Viscossuplementação com ácido hialurônico na ATM
A viscossuplementação da ATM é um procedimento realizado por meio da aplicação intra-articular de ácido hialurônico, uma substância naturalmente presente no líquido sinovial e importante para o funcionamento adequado da articulação temporomandibular.
Na ATM, o ácido hialurônico participa das propriedades de lubrificação do líquido sinovial. Em processos inflamatórios e degenerativos, alterações nesse ambiente podem aumentar o atrito entre as superfícies articulares e contribuir para dor e limitação dos movimentos mandibulares.
A viscossuplementação busca melhorar essas condições e pode contribuir para:
- Melhorar a lubrificação da ATM;
- Reduzir o atrito entre as superfícies articulares;
- Auxiliar na modulação de processos inflamatórios;
- Reduzir a dor articular;
- Favorecer a mobilidade e a função da mandíbula.
Estudos demonstram benefícios especialmente em pacientes com osteoartrite da ATM, deslocamentos do disco com comprometimento funcional e processos degenerativos.
Por isso, a viscossuplementação não deve ser entendida como uma forma de “reconstruir” ou regenerar completamente a ATM. Ela pode fazer parte do tratamento da DTM em casos selecionados, após o diagnóstico e a avaliação das alterações articulares presentes em cada paciente.
i-PRF na DTM: regeneração utilizando o próprio sangue do paciente
O i-PRF (fibrina rica em plaquetas injetável) é um concentrado sanguíneo obtido a partir de uma pequena coleta de sangue do próprio paciente.
Entre os principais componentes do i-PRF estão:
- Plaquetas;
- Leucócitos;
- Fatores de crescimento;
- Fibrina e proteínas relacionadas à reparação dos tecidos.
Na DTM, o i-PRF vem sendo estudado como uma terapia complementar para estimular processos de regeneração e auxiliar na recuperação dos tecidos articulares e periarticulares.
Embora os resultados sejam promissores, a indicação deve ser individualizada e baseada na avaliação clínica de cada paciente.
Para quais pacientes a Medicina Regenerativa na DTM pode ser indicada?
A Medicina Regenerativa na DTM não é necessária para todas as pessoas com disfunção temporomandibular. A indicação depende principalmente do diagnóstico, das estruturas comprometidas, da intensidade dos sintomas, das alterações encontradas nos exames quando necessários e da resposta aos tratamentos já realizados.
Essas abordagens podem ser consideradas, de acordo com a avaliação clínica, em pacientes com:
- DTM articular;
- Osteoartrite da ATM;
- Dor articular persistente;
- Limitação da abertura da boca e dos movimentos mandibulares;
- Estalos acompanhados de dor e perda de função;
- Casos que não obtiveram melhora satisfatória apenas com medidas conservadoras.
Antes de considerar viscossuplementação, i-PRF ou outro procedimento, o tratamento da DTM deve partir de um diagnóstico preciso. É essa avaliação feita pelo dentista especialista em DTM permite identificar se existe comprometimento articular e se uma terapia regenerativa realmente pode acrescentar benefício ao tratamento.
Medicina regenerativa não substitui um tratamento completo da DTM
Mesmo quando há indicação de viscossuplementação, i-PRF ou outro recurso, a Medicina Regenerativa na DTM não substitui uma abordagem completa da disfunção temporomandibular. O tratamento da DTM continua sendo multidisciplinar e personalizado.
Na prática clínica, a medicina regenerativa costuma ser associada a outras abordagens com evidências científicas, como:
- Educação em dor;
- Controle do bruxismo em vigília e do bruxismo do sono;
- Terapia miofascial;
- Laserterapia;
- Acupuntura odontológica;
- Ultrassom;
- Agulhamento seco, quando indicado;
- Terapias complementares e mudanças comportamentais.
Essa associação é importante porque atuar somente sobre a ATM pode não resolver os fatores que contribuem para a manutenção dos sintomas.
O objetivo do tratamento é reduzir a sobrecarga articular, controlar a dor e recuperar a função mandibular, considerando tanto as alterações da articulação quanto os aspectos musculares e comportamentais envolvidos em cada caso.
Por isso, a medicina regenerativa deve ser entendida como um possível recurso dentro de um plano terapêutico mais amplo, e não como um tratamento isolado para todas as formas de DTM.
Uma abordagem baseada em evidências e centrada no paciente
A Medicina Regenerativa na DTM amplia as possibilidades terapêuticas para determinados quadros que envolvem a articulação temporomandibular.
Recursos como a viscossuplementação com ácido hialurônico e o i-PRF podem ser considerados em casos selecionados, sempre com base no diagnóstico, nas evidências disponíveis e nas características de cada paciente.
Isso é especialmente importante porque a DTM pode envolver uma combinação de fatores articulares, musculares, comportamentais e emocionais. Por isso, um tratamento para DTM não deve ser definido apenas pela presença de dor, estalos ou alterações na ATM, mas por uma avaliação capaz de identificar quais estruturas estão envolvidas e quais abordagens realmente podem trazer benefício.
A Dra. Monia Bessornia é dentista em Sorocaba, especialista em DTM e Dor Orofacial, com mais de 20 anos de experiência clínica e membro da Sociedade Brasileira de Disfunção Temporomandibular e Dor Orofacial (SBDOF) desde 2013.
Sua formação na área inclui capacitação em viscossuplementação da ATM, pós-graduação em Terapias Regenerativas e Integrativas aplicadas à DTM e Dor Orofacial, com ênfase em i-PRF, além de formação avançada em viscossuplementação, biossuplementação com L-PRF e artrocentese.
Essa experiência permite integrar os recursos da medicina regenerativa a uma avaliação mais ampla da DTM, sem tratar uma técnica isoladamente como solução para todos os pacientes. A indicação depende do diagnóstico, das condições da ATM e dos demais fatores relacionados à dor e à função mandibular.
Para pacientes de Sorocaba e região com dor na ATM, dificuldade para abrir a boca, dor ao mastigar ou outros sintomas relacionados à disfunção temporomandibular, a avaliação com um dentista DTM é o primeiro passo para compreender o quadro e definir se a medicina regenerativa pode fazer parte do tratamento da DTM.
