5 perguntas para se fazer antes de considerar uma cirurgia para ATM

A dor na mandíbula está afetando sua qualidade de vida? Já tentou de tudo e agora pensa em recorrer à cirurgia para ATM? Antes de tomar essa decisão tão importante, é essencial refletir sobre algumas perguntas-chave que ajudam a entender se essa é realmente a melhor opção para o seu caso.

Muitos pacientes chegam ao consultório exaustos da dor, da dificuldade para mastigar ou dos estalos constantes ao abrir a boca. Mas, embora a cirurgia para ATM possa parecer uma solução definitiva, ela nem sempre é o melhor caminho.

Em muitos casos, pode ser desnecessária e até evitável com o tratamento certo.
A seguir, você confere 5 perguntas essenciais que deve se fazer antes de considerar uma cirurgia para ATM. Elas podem evitar procedimentos invasivos e abrir caminhos para soluções mais seguras e eficazes.

O que é a cirurgia de ATM?

A cirurgia da ATM (articulação temporomandibular) é um procedimento indicado em casos específicos de disfunções graves da articulação que não responderam aos tratamentos.

Quando há um comprometimento estrutural como deslocamento persistente do disco articular, aderências, anquilose (fusão óssea) ou degeneração da articulação, a cirurgia pode ser indicada para restaurar a função e aliviar a dor.

É importante ressaltar que, apesar da eficácia da cirurgia em casos indicados, há uma preocupação crescente na comunidade científica com indicações excessivas ou precoces.

Estudos indicam que entre 70% e 90% dos pacientes com disfunção temporomandibular melhoram significativamente com terapias conservadoras e sem necessidade de cirurgia.

Por isso, buscar uma segunda opinião de um dentista especialista em DTM a e explorar todos tratamentos não invasivos é fundamental antes de optar por uma intervenção cirúrgica.

Existem diferentes tipos de cirurgia para ATM, incluindo:

  • Artrocentese: lavagem da articulação com solução fisiológica, indicada para casos menos complexos;
  • Artroscopia: minimamente invasiva, permite visualização interna da articulação com pequenas incisões;
  • Cirurgia aberta (artrotomia): utilizada em casos mais severos, como remoção de aderências ou substituição da articulação.

5 perguntas para se fazer antes de considerar uma cirurgia para ATM

1. Já passei por uma avaliação com um especialista em ATM?

Muitas pessoas procuram diretamente cirurgiões ou dentistas generalistas, mas a avaliação com um profissional especializado em disfunções temporomandibulares é essencial.

O dentista especialista em DTM irá investigar as causas da dor, o histórico clínico, hábitos como bruxismo, postura e até fatores emocionais como estresse, que podem influenciar os sintomas.

Sem essa avaliação aprofundada, é fácil cair em indicações precipitadas e desnecessárias.

2. Já esgotei todas as alternativas de tratamento?

Antes de cogitar a cirurgia, é necessário ter passado por tratamentos não invasivos, que são eficazes para a maioria dos casos. Alguns tratamentos são:

  • Aparelho intra-oral (placas estabilizadoras)
  • Laserterapia
  • Acupuntura
  • Bloqueio anestésico (neural)
  • Ozonioterapia
  • Medicação (alopático, fitoterápico, nutracêutico, canabinóide )
  • Viscossuplementação na ATM
  • Terapia regenerativa (IPRF)

3. Entendo exatamente qual é o problema na minha articulação?

A cirurgia só faz sentido quando há um diagnóstico claro e documentado, com exames de imagem que comprovem alterações estruturais importantes, como: anquilose (fusão óssea), deslocamento persistente do disco, aderências e degeneração articular severa.

Se você ainda não recebeu um diagnóstico preciso ou não entendeu bem o que está acontecendo na sua ATM, pare e pergunte. Cirurgias sem clareza diagnóstica tendem a ter resultados insatisfatórios.

4. Fui informado sobre os riscos, limitações e possíveis complicações da cirurgia?

Toda cirurgia envolve riscos. No caso da cirurgia de ATM, eles podem incluir:

  • Piora da dor
  • Limitação de movimento
  • Fibrose
  • Infecção
  • Necessidade de novas cirurgias

Além disso, nem sempre o alívio da dor é garantido. Por isso, é seu direito receber informações completas e realistas sobre o que esperar da cirurgia, inclusive os cenários em que ela pode não resolver o problema.

5. Estou buscando essa cirurgia por desespero ou por decisão bem informada?

É compreensível que a dor leve ao esgotamento físico e emocional. Muitos pacientes acabam buscando a cirurgia como um “último recurso” movidos pela frustração, e não por uma decisão baseada em evidências e avaliações criteriosas.

Se esse for o seu caso, talvez seja o momento de reavaliar com calma, buscar uma segunda opinião e retomar o tratamento com outro olhar.

Conclusão

A decisão de fazer uma cirurgia na ATM não deve ser tomada com base apenas na dor ou no cansaço emocional. É uma escolha que exige cautela, informação de qualidade e o acompanhamento de um profissional realmente qualificado em disfunções temporomandibulares.

Fazer as perguntas certas é o primeiro passo para entender seu diagnóstico, avaliar os riscos e explorar todas as possibilidades de tratamento antes de recorrer a uma intervenção invasiva.

Lembre-se: a maioria dos casos de DTM pode ser tratada com sucesso por meio de terapias conservadoras, evitando cirurgias desnecessárias e promovendo alívio real.

Se você ainda está em dúvida sobre o melhor caminho, procure um dentista especialista em DTM e ATM. Um olhar clínico criterioso pode fazer toda a diferença no seu tratamento e na sua qualidade de vida.

A Dra. Monia Bessornia é dentista especialista em Dor Orofacial e DTM desde 2005 e membro da Sociedade Brasileira de Disfunção Temporomandibular e Dor Orofacial (SBDOF) desde 2013.

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Este conteúdo foi desenvolvido com o objetivo de informar e difundir o conhecimento, e não deve substituir a orientação, o diagnóstico nem o tratamento profissional. Sempre procure a orientação do seu dentista ou de outro especialista para qualquer dúvida em relação à sua condição médica, sintomas ou tratamento.