Cannabis medicinal para DTM e Dor Orofacial: quando essa terapia pode ajudar?

Dor na mandíbula, tensão muscular, dificuldade para mastigar e episódios de bruxismo podem fazer parte da rotina de quem convive com uma Disfunção Temporomandibular (DTM). Quando os sintomas persistem ou não respondem como esperado às terapias convencionais, é natural que surjam dúvidas sobre outras possibilidades de tratamento.

Entre elas está a cannabis medicinal para DTM, especialmente pelo interesse nos possíveis efeitos dos canabinoides sobre a dor, a inflamação e a atividade muscular.

Em um ensaio clínico com 60 pacientes com DTM muscular e bruxismo do sono, a formulação intraoral com 10% de CBD foi associada a uma redução de 57,4% na intensidade da dor e de 51% no índice de bruxismo após 30 dias.

É importante ressaltar que a resposta depende do tipo de dor, do diagnóstico, dos sintomas associados e da avaliação individual de cada paciente. A Cannabis medicinal pode ser considerada como parte do tratamento em situações específicas, que só uma avaliação clínica cuidadosa feita por um dentista especialista em DTM pode oferecer.

Neste artigo, vamos entender quando essa terapia com cannabis medicinal pode ajudar, o que as pesquisas mostram até o momento e por que a avaliação de um profissional especializado é tão importante antes de iniciar o tratamento.

O que é cannabis medicinal?

A cannabis medicinal utiliza compostos da planta Cannabis Sativa com finalidade terapêutica. Entre os canabinoides mais conhecidos estão o canabidiol (CBD) e o tetraidrocanabinol (THC), que possuem características e efeitos diferentes no organismo.

Essas substâncias interagem, direta ou indiretamente, com o sistema endocanabinoide, um sistema presente no organismo que participa da modulação da dor, do sono, da inflamação e da resposta ao estresse.

É justamente essa relação que tem despertado interesse no estudo da cannabis medicinal para DTM e outros quadros de Dor Orofacial, principalmente em pacientes que convivem com dores persistentes ou apresentam resposta insuficiente às abordagens convencionais.

Diferentemente do uso recreativo da cannabis, a terapia medicinal utiliza formulações padronizadas, prescritas de acordo com as necessidades de cada paciente e acompanhadas por profissionais habilitados.

Isso é especialmente importante porque CBD e THC não são equivalentes e a escolha da formulação, concentração e forma de uso depende do objetivo terapêutico, do quadro clínico e da resposta individual de cada paciente.

Cannabis medicinal ajuda na DTM?

A Disfunção Temporomandibular (DTM) é uma condição complexa e multifatorial, ou seja, a a dor nem sempre tem uma única origem. Ela pode estar relacionada aos músculos da mastigação, à articulação temporomandibular (ATM) e, em alguns casos, a alterações nos mecanismos do sistema nervoso responsáveis pelo processamento e pela persistência da dor.

Em alguns casos, a Cannabis medicinal para DTM pode ser considerada como uma terapia complementar, principalmente quando há dor persistente e outros fatores associados ao quadro doloroso, e contribuindo para a manutenção da DTM, como:

  • Dor crônica na mandíbula e na face
  • Tensão muscular persistente
  • Alterações do sono
  • Quadros em que existe sensibilização do sistema nervoso

É importante destacar que a cannabis medicinal não é indicada a todos os casos, além de não corrigirem alterações mecânicas da ATM e não substituirem tratamentos específicos para a articulação quando eles são necessários.

Justamente por existirem diferentes tipos e mecanismos de DTM que a avaliação de um dentista especialista em DTM, especialmente quando possui capacitação em terapia canabinoide, é fundamental para um diagnóstico preciso e um tratamento assertivo.

Cannabis medicinal e Dor Orofacial

A Dor Orofacial engloba diversas condições dolorosas que podem atingir a cabeça, face, boca e mandíbula. Nem toda dor orofacial é igual, e por isso o tratamento também não é.

Os canabinoides na odontologia vêm sendo estudados principalmente por sua possível atuação nos mecanismos de modulação da dor.

Na Dor Orofacial, existe interesse especialmente em quadros com componente neuropático ou persistente, nos quais o sistema nervoso participa da origem, amplificação ou manutenção dos sintomas.

Nas dores musculares e articulares relacionadas à DTM, também existem pesquisas com CBD e outros canabinoides. Alguns estudos apresentam achados promissores, mas as evidências disponíveis ainda não permitem considerar a cannabis medicinal como tratamento padrão para todos os casos de DTM ou Dor Orofacial.

Por isso, mais importante do que simplesmente identificar onde dói é entender por que aquela dor está acontecendo. Uma dor muscular, uma alteração articular da ATM e uma dor neuropática podem exigir estratégias terapêuticas bastante diferentes.

O diagnóstico correto da Dor Orofacial é o ponto de partida para avaliar se a terapia canabinoide pode ou não fazer sentido dentro do tratamento de cada paciente.

O que a ciência diz sobre cannabis medicinal para dor?

As pesquisas sobre cannabis medicinal e controle da dor cresceram nos últimos anos, especialmente em relação à dor crônica e à dor neuropática.

Os resultados, porém, precisam ser interpretados com cuidado: os efeitos dos canabinoides variam conforme o tipo de dor, a formulação utilizada, a dose e as características de cada paciente.

Até o momento, a literatura científica indica que:

  • Existem evidências de benefício para alguns tipos de dor crônica, embora a magnitude do efeito varie entre os estudos;
  • Os canabinoides têm sido investigados em condições de dor neuropática, nas quais há envolvimento do sistema nervoso;
  • A resposta é individual e alguns pacientes podem apresentar pouco benefício ou efeitos adversos;
  • Para DTM, dor orofacial e condições relacionadas à ATM, a quantidade de estudos específicos ainda é limitada e são necessárias pesquisas maiores e com acompanhamento mais prolongado.

Um ensaio clínico randomizado e duplo-cego publicado em 2024, por exemplo, encontrou redução da intensidade da dor em pacientes com DTM muscular que utilizaram uma formulação intraoral de CBD.

Apesar de promissor, trata-se de um estudo específico e seus resultados não significam que o CBD terá o mesmo efeito em todos os pacientes ou em todos os tipos de DTM.

A Cannabis substitui outros tratamentos para DTM?

Não. A Cannabis medicinal não deve ser entendida como substituta dos demais tratamentos para DTM.

A Disfunção Temporomandibular é multifatorial, e o plano terapêutico precisa ser definido de acordo com o diagnóstico, o tipo de dor e os fatores envolvidos em cada caso.

Na prática clínica, o tratamento pode combinar diferentes recursos, como:

  • Placa estabilizadora, quando indicada, especialmente para proteção dos dentes e da ATM
  • Fisioterapia e terapia manual
  • Laserterapia de baixa potência
  • Ozonioterapia
  • Agulhamento seco
  • Infiltrações e viscossuplementação da ATM, em situações específicas
  • Orientações relacionadas a hábitos, qualidade do sono e manejo do bruxismo
  • Cannabis medicinal, quando a avaliação clínica indicar que ela pode contribuir para o controle da dor ou de outros sintomas associados.

Nem todos esses recursos são necessários para todos os pacientes. Em alguns casos, poucas intervenções são suficientes; em outros, pode ser necessária uma combinação de estratégias e acompanhamento ao longo do tempo.

Quando indicada, a cannabis medicinal para DTM passa a fazer parte do tratamento multidisciplinar traçado pelo dentista especialista em DTM, sempre compreendendo a individualidade de cada paciente afim de evitar intervenções desnecessárias e tratar a causa da dor.

A importância da avaliação com um especialista em DTM e Dor Orofacial

Nem toda dor na mandíbula é DTM, assim como nem toda dor na face tem origem na articulação temporomandibular.

Sintomas semelhantes podem estar relacionados a músculos, articulações, estruturas da face ou ao próprio sistema nervoso, e essa diferenciação interfere diretamente na escolha do tratamento.

Por isso, antes de considerar a cannabis medicinal para DTM, o primeiro passo é chegar a um diagnóstico preciso. A avaliação especializada considera a musculatura da mastigação, a ATM, os movimentos mandibulares, as características da dor, hábitos, qualidade do sono e outros fatores que possam estar relacionados à persistência dos sintomas.

A terapia canabinoide, quando indicada, não é considerada de forma isolada, mas dentro de um plano terapêutico construído de acordo com as necessidades e particularidades de cada paciente.

Especialista em DTM e Dor Orofacial em Sorocaba

A Dra. Monia Bessornia, dentista em Sorocaba especialista em Disfunção Temporomandibular (DTM) e Dor Orofacial, com mais de 20 anos de experiência no diagnóstico e tratamento das dores que acometem a face, a mandíbula e a ATM.

Durante a avaliação, seu caso é analisado de forma individualizada e com base em evidências científicas, considerando os diferentes fatores que podem estar envolvidos na origem ou na persistência da dor antes da definição do tratamento.

A abordagem da Dra. Monia é individualizada e baseada em evidências científicas, integrando recursos como placa estabilizadora, laserterapia, ozonioterapia, terapias complementares, viscossuplementação da ATM e, quando indicada, a terapia com cannabis medicinal como parte do manejo da dor crônica.

Com dupla certificação em Canabinoides na Odontologia pela Unicamp, a Dra. Monia também está capacitada para avaliar quando a terapia canabinoide pode fazer sentido dentro do seu tratamento.

Se você convive com dor na mandíbula, na face ou na região da ATM, uma avaliação especializada pode ajudar a entender a origem dos sintomas e quais tratamentos são realmente indicados para o seu caso.

Como dentista em Sorocaba há mais de 20 anos e especialista em DTM e Dor Orofacial, a Dra. Monia realiza essa investigação de forma individualizada, considerando não apenas onde você sente dor, mas os diferentes fatores que podem estar envolvidos no problema.